Em 99 eu pensava em fazer faculdade de moda. Em 2000 eu fiz as contas. E, só para rolar uma similaridade com tantas histórias por aí, o dinheiro não deu. Cheguei a fazer vestibular e passei. Hoje eu agradeço por ter faltado dinheiro naquela época, senão, certamente a Mkt Virtual nem teria passado pela minha cabeça. Nessa época eu já fazia freelas para alguns clientes pequenos. Esses clientes aumentaram um pouquinho de tamanho, e a faculdade de publicidade cruzou meu caminho. Juntando com um cenário propício – um namorado engenheiro e programador, um ex-chefe disposto a dar uma oportunidade - nasceu a Mkt Virtual. Isso é muito “era uma vez” nostálgico, por isso é melhor parar por aqui. O que quero explicar é o cenário.
Quando você abre uma empresa, você começa a pensar que todas as empresas do mundo estão erradas. Que elas são chatas, caretas, quadradas, retrógradas (eu acreditava realmente nisso, e estou falando de uma era before Google), e que você vai fazer a empresa mais legal do mundo, um mundo cor-de-rosa cintilante onde todo mundo é amigo, se dá bem, problemas inexistem, os clientes não precisam ser cobrados e os funcionários podem fazer o que quiser. Ok, TUDO ISSO É REALMENTE VERDADE...
...até você ter o primeiro cliente e o primeiro funcionário chegar. Amo meus clientes, juro. Amo meus funcionários também. Mas logo que você contrata o primeiro, você começa a entender porque existem regras. Simplesmente porque estão ligadas aos clientes, que querem que regras (como contratos e deadlines) sejam seguidas. E aí vira uma corrente enorme. Quando você tem um cliente e um funcionário, ok. As regras são tranqüilas, conversáveis, gerenciáveis de forma maleável. Mas, o que você faz quando o número de funcionários e de clientes ultrapassa as dezenas? O mundinho cor-de-rosa não acaba, mas ele precisa ser reavaliado.
Talvez ele mude de cor, e nem por isso ele deixe de ser legal. Talvez ele vire Azul da Prússia, ou talvez Verde Inglês. Cada empresa escolhe o seu tom, e acreditem, seus funcionários ajudam a pintá-la.
De qualquer cor a marrom é uma cor feia, triste. Misture um monte de cores aleatórias e certamente dará uma tinta marrom. Quando dá errado é marrom. O lugar-comum, o óbvio, a caretice. Marrom é uma cor chata. Imprensa marrom. Sensacionalismo, intriga. Marrom é a cor da burocracia, do emprego sem trabalho, da rotina de ócio, do Orkut em horário comercial, do telefone berrando e da galera indo embora às 5:29 enquanto a pilha de jobs cresce. Marrom é o que resume tudo isso. Marrom é quando o seu chefe passa a agir como um ser humano distante, insensível e que pouco liga para você ou seus colegas. E infelizmente isso pode ser parcialmente culpa sua. Ou não. Você mesmo pode ter construído um ambiente de trabalho apático, escuro e que ninguém quer para si.
O mundo cor-de-rosa reluzente não é comum quando você tem muitas pessoas envolvidas num processo (leia-se funcionários, chefes, fornecedores, clientes). Mas quem fica reclamando de um possível sistema injusto amarronza tudo. Quem desmotiva um colega numa mesa de bar contribui para um mundo profissional cada vez mais marrom. Quem faz um trabalho mal feito idem. E tudo isso contribui, infelizmente para o cenário de muitas empresas por aí – que até podem ter sido fundadas por jovens sonhadores (como você), cheios de vontade de fazer diferente (como você) e que acabam reclamando numa mesa de bar (como você), e que tornam os dias mais indefinidos.