Defensores do termo
Web 2.0 dizem que ele identifica sites de
networking social, ferramentas de comunicação,
wikis e etiquetagem eletrônica (
tags), baseados na
colaboração e que entendem que a natureza da rede é orgânica, social e emergente.
Atualmente, Web 2.0 é o termo mais difundido dentro da indústria de tecnologia como sinônimo de sites colaborativos. Logo que comecei a ouvir falar dele, imaginei uma espécie de condomínio virtual privado - um espaço desenvolvido por megacorporações, acessível por um canal diferenciado do da internet comum, funcionando como plataforma de publicação mais controlada e protegida e oferecendo soluções de e-commerce e vantagens para usuários com acesso rápido. Nada disso. Na verdade Web 2.0 se refere a uma relação de características que supostamente diferenciam novos sites daqueles que naufragaram com o estouro da
Bolha da Internet na virada do século 20 para o 21.
A idéia foi lançada em 2004 pela
O'Reilly Media, uma editora e empresa de comunicação. O termo se tornou o nome de uma conferência que acontece anualmente nos Estados Unidos, e alastrou-se a ponto de uma busca pelo Google indicar a existência de centenas de milhares de páginas fazendo referência ao assunto.
Em sua origem ele deveria distinguir sites ou aplicativos com baixo custo de desenvolvimento, em que o conteúdo surge de baixo para cima (
bottom-up) a partir do relacionamento entre participantes (
user generated content ou UGT), e que pode combinar as soluções e o conteúdo de mais de um site para produzir uma experiência integrada - o que no jargão tech se convencionou chamar de
mash-up.
Como recomenheceu o fundador da O'Reilly Media,
Tim O'Reilly, no artigo
What is Web 2.0: "companhias agora estão passando [o termo] adiante como uma buzzword, sem terem um entendimento real sobre o que ela quer dizer". Por esse motivo alguns críticos consideram que o nome Web 2.0 vem sendo aplicado indiscriminadamente como sinônimo de originalidade tecnológica para entusiasmar possíveis clientes e investidores.
A associação vaga entre "2.0" e a idéia de inovação abre precedente para que, por exemplo, um projeto comum que inclua um
blog seja promovido como Web 2.0 pela equipe de vendas encarregada de oferecer a solução. Ao invés de defender os valores por trás do conceito, o nome passa a ser usado para benefício privado. Desconfia-se de que muitas das companhias promovendo essa bandeira estejam desenvolvimento produtos sem modelos de negócio sérios apenas para se aproveitarem do aquecimento do mercado, o que traria junto com a "nova internet" uma "nova bolha".
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Juliano Spyer é consultor na área de mídias sociais, blogueiro, autor do livro
Conectado e um entusiasta declarado das tecnologias de comunicação para a colaboração em rede. O NãoZero -
www.naozero.com.br - é onde reúne sua vida online. Atualmente trabalha na
Talk Interactive. Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante, se formou bacharel em História pelo
Departamento de História da USP.