Ética hacker
Por: CCW - Lab
Muito se conta, muito se fala sobre ética. Ética nas ações, nas palavras, nos pensamentos, nos gestos e atitudes. Essa palavra aparece em jornais, notícias, reportagens e projetos. Chega até um certo ponto ser um termo gasto entre tantas interpretações e usos que são bem pouco compreendidos ou aplicados em ações práticas. Eis que ontem, no Campus Party, me pediram para escrever um pouco sobre ética hacker. Fiquei pensando em como falar sobre isso e, sinceramente, a melhor forma que encontrei é falar da forma como um hacker age, do que exemplo que ele dá a partir de sua forma de ver o mundo.

O hacker tem um jeito de ser, tem um foco, tem um interesse. Gosta de vivenciar desafios e gosta de aprender com seus próprios limites. Mas, um ponto que diferencia fundamentalmente o hacker de outras pessoas que também gostam de desafios é que o hacker utiliza uma parte significativa do seu tempo documentando e compartilhando a forma como ele conseguiu vencer um desafio e, dessa forma, permitindo que outras pessoas possam aprender com suas descobertas. É uma atitude que possui em seu dna um desejo íntimo de construir um mundo a partir de uma inteligência coletiva, a partir da colaboração entre as diferentes formas que as pessoas possuem de resolver seus problemas.

Dessa forma, um hacker é também um contador de histórias dos mitos e das magias que ele desvenda em sua maneira de se apropriar da tecnologia, de dar significado a essa tecnologia e de inspirar o aprendizado em outras pessoas que possuem interesses semelhantes ao caminho que ele vem percorrendo.

Essa maneira de se apropriar da tecnologia é também uma forma essencialmente prática de encarar a vida: descobrir problemas, encontrar soluções, documentar processos e compartilhar de forma livre na rede com as outras pessoas. Parece bastante simples, mas é necessário haver uma atitude no meio de tudo isso para o processo funcione: é preciso não ter medo de compartilhar o que se aprendeu, é preciso não ter receio abrir informações, é preciso acreditar que a inteligência coletiva pode levar a construção de novas possibilidades de convivência e de experiência de mundo melhor do que a competição pura e simples permitiu até hoje.

É essa atitude que permite definirmos uma ética, é essa atitude permite identificar essa ética como sendo uma ética hacker!

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Dalton Martins é um dos articuladores do MetaReciclagem e designer de redes sociais. Colabora com a Coordenadoria de Tecnologia Social da Escola do Futuro na USP e desenvolve o WebLab.tk, que pesquisa, desenvolve e implementa tecnologias, metodologias e processos de colaboração para o estímulo da aprendizagem e inovação. Atua em projetos que buscam mapear e identificar redes sociais emergentes a partir de estruturas de comunicação livres.

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Elementos do Estilo Tipográfico


Sinopse:
Escrita, projetada e composta pelo tipógrafo, ensaísta e poeta norte-americano Robert Bringhurst, esta obra reúne e discute em profundidade os conhecimentos que a história da tipografia ocidental transformou em tradição ao longo dos últimos 600 anos, respaldado por uma linguagem deliciosamente acessível, que a tornou uma unanimidade entre os designers gráficos do mundo inteiro. O título é inspirado em conceitos do filósofo Walter Benjamin.

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