Carta Branca com Raphael Pontual
Por: CCW - Lab
Falta de estilo ou versatilidade?

Dizem por aí que todo designer ou diretor de arte deve ter um estilo próprio, uma identidade, algo que todos olhem e saibam que aquele projeto tem a sua mão.

Acredito numa teoria um pouco diferente: penso que os profissionais gráficos devem ser versáteis ao ponto de adaptar-se a qualquer projeto (qualquer um mesmo!), seja uma campanha para a MTV ou para uma multinacional conservadora.

É muito interessante ver um profissional que adapta qualquer projeto ao seu estilo, mas uma coisa é certa: ele será muito melhor sucedido se trabalhar como freelancer do que se contratado por uma agência, afinal, a agência precisa agradar todos os seus clientes, e dificilmente todas as contas têm o mesmo estilo gráfico. Apesar disso, para conseguir sucesso, o designer ou o diretor de arte deve ser absurdamente bom naquilo que faz, naquele estilo que ele criou, para conseguir ser lembrado pelos diretores de criação quando precisarem daquela solução gráfica que ele executa com tal perfeição.

Estilos são sempre muito bem vindos, e conheço vários profissionais que fazem de seu estilo uma arma para grandes soluções gráficas. O grande problema é quando um estilo vira a saída mais fácil e rápida de um projeto, e, infelizmente, é o que acontece com os projetos “para ontem”. Não é o projeto que deve adaptar-se ao estilo gráfico, e sim cada layout deve ser pensado para cada projeto.

Se você não tem um estilo próprio, não se considere pior do que ninguém, considere-se um profissional versátil. Hoje em dia, esse tipo de profissional é muito valorizado na maiores e mais bem sucedidas agências do mundo. Muito mesmo.

Alguns podem estar pensando: “Ah, ele só diz isso porque não foi capaz de criar um estilo próprio”. Na verdade, falta de estilo é proposital. Gosto de trabalhar em agências, e para isso preciso ser capaz de me adaptar a qualquer linguagem gráfica. Meu estilo próprio deixo para projetos pessoais. Os clientes, em sua maioria, querem um produto final com a cara deles, e não com a sua (salvo em alguns casos).

Mas isso não significa que o profissional deve ser mediano em seu trabalho, seja qual for a linha visual. Muito pelo contrário, ele deve saborear o desafio de criar com referências gráficas que desconhece. A busca dessa solução faz com que os designers e diretores de arte considerados versáteis precisem estudar muito, e  conhecer novos estilos.  Esse estudo em busca de referências de um mundo novo faz o projeto ganhar muito em detalhes e em conceito.

E para aqueles que ainda acreditam que todo profissional gráfico deve ter um estilo, o meu é a “falta de estilo”.

// Leitura recomendada

Elementos do Estilo Tipográfico


Sinopse:
Escrita, projetada e composta pelo tipógrafo, ensaísta e poeta norte-americano Robert Bringhurst, esta obra reúne e discute em profundidade os conhecimentos que a história da tipografia ocidental transformou em tradição ao longo dos últimos 600 anos, respaldado por uma linguagem deliciosamente acessível, que a tornou uma unanimidade entre os designers gráficos do mundo inteiro. O título é inspirado em conceitos do filósofo Walter Benjamin.

O produto está com um ótimo preço no Submarino, sai por R$ 51,40 e vale cada centavo.
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