
Olá. É sempre difícil começar uma entrevista onde você não tem nenhuma pergunta específica para responder. Nesse momento (agora aqui, não agora aí) o espaço aqui em baixo está em branco e eu tô pensando. Tem algumas desvantagens mas no geral acho interessante não ter perguntas, ser um espaço branco… puro potencial criativo... quase uma meditação (ah?!).
Fui convidado para falar sobre meu portfolio e mostrar um pouco dos meus trabalhos exatamente no momento que mais estou questionando a forma com que os mostro.
Não vou entrar nesses detalhes porque provavelmente isso viraria uma grande discussão, mas a minha experiência no mercado de internet está me fazendo pensar bastante na estrutura que temos para julgar bons profissionais e seus trabalhos.
Até onde design bem feito é líder no simbolismo de criatividade?
Será que um prato de comida bem feito não pode simbolizar poder criativo pra uma agência?
Não estamos fazendo mais posters pra internet, né? (e sem exagero, uma boa comida é uma das coisas mais mágicas que tem).
Bom, antes que eu pire nesse assunto, agradeço profundamente a oportunidade de participar do CCW e vou começar a falar sobre meus “posters” (ou pelo menos vocês vão ver como posters).
Vou mostrar alguns exemplos de projetos que fui responsável pelo design, ano passado, como Diretor de Arte da Gringo em São Paulo.
MAXHAUS
O desafio de design deste website foi mais funcional do que visual. A idéia era criar uma interface fácil e criativa para permitir ao usuário ter um gostinho da experiência de customizar completamente seu apartamento, que é exatamente o que o pessoal da Maxhaus vende, apartamentos, reais, que você pode escolher tudo, até a posição das paredes.
Gênios da programação liderados por Arthur Debert ficaram estudando e pensando como fazer esse tipo de interface funcionar na internet, gênios do 3D ficaram desenvolvendo milhares de objetos e testando diferente vistas e angulações para o prédio e apartamentos e eu, peguei o mais fácil, pensar na interface e design gráfico. Fiz alguns testes de interface e rabisquei algumas coisas na mão. Ao mesmo tempo que trabalhava nas funções da interface eu já testava diferentes identidades visuais, cores, tipos, formas etc. Quando ficamos satisfeitos com um visual, começamos a colocar isso no site e vestir os elementos em 3D. Trabalhei com Photoshop, e, apenas, Photoshop e não conseguia parar de pensar: “esses caras são loucos” ehehehe.
ABSOLUT BRASIL
Esse projeto foi interessante porque estávamos promovendo Absolut no Brasil e precisávamos encontrar uma identidade visual que refletisse conceitos urbanos, de noite, bares e um pouco de festa, misturado com o calor brasileiro, com variabilidade visual, colorido, próximo etc.
Depois de alguns testes cheguei a conclusão que a representatividade dos diferentes artistas e suas obras inéditas já seria suficiente para representar a sensibilidade e flexibilidade artística brasileira e poderíamos fazer o resto do site escuro no climinha “tem uma gatinha te chamando para tomar uma vodka no bar refinadamente multi colorido e aconchegante ” sem perder a brasilidade. As tintas e as borboletas foram toques mais pra atingir o inconsciente do que o consciente e trazer mais pra frente da mente as idéias de natureza e arte.
CUTWATER
Era só o portfolio de uma agência e não tínhamos muito tempo. Resolvemos seguir uma linha clean de design que fazia referência ao nome da agência – Cutwater - em São Francisco.
A idéia central do site é que o mouse “corta a água”. O que pode soar previsível e não criativo para alguns, na internet, quando se adiciona o desafio tecnológico na equação de um projeto, uma inovação técnica também é uma grande qualidade criativa. E esse foi o grande desafio – fazer o diabos do mouse cortar a água sem parecer jogo de Atari ou precisar dos computadores da Nasa para processar em tempo real na internet.
Fizemos muitos e muitos testes e a galera da Gringo e Zeh Fernando conseguiram achar uma boa solução.
Depois achamos que seria legal a tela esvaziar de água e ficar totalmente branca e limpa para mostrar os conteúdos e contrastar com qualquer idéia de poluição ou negatividade que a água pudesse ter estimulado – água é um dos elementos mais detonados no planeta.
NATUREZA VIVA
Natureza Viva também foi um desafio tecnológico e de interface bem legal. Criar, desenhar e desenvolver uma experiência multiplayer de costurar e revelar uma floresta animada e viva por cima de uma tela morta e estática com a estética de “ponto-cruz” não foi algo que a gente tinha na manga. Passo um: O que diabos é ponto-cruz? (ah?!).
Depois de ver vários videos de vovós costurando e fazer testes de design, interface e ilustração, começamos a chegar num resultado mais agradável. Agradecimentos eternos pra Elisa, Will Murai, Zeh Fernando, Danilo Almeida (Gabba) e Gringo por me proporcionar a experiência de desenhar este projeto.
MOTOROLA
Esse site na verdade não existiu. Apresentamos duas versões de desenho, esta que eu fiz e a que foi ao ar, desenhada por um de meus mestres, Geo Freitas.
Pela falta de tempo que o projeto tinha, resolvemos que apresentaríamos uma versão mais simples e segura e uma outra com produção mais complexa, o que me permitiu investir nas luzes, fumaças e em uma idéia mais dramática de animação.
A idéia era permitir ao usuário fazer uma viagem linear pelos features do telefone através de uma linha do tempo, onde a qualquer ponto que o video parasse, portais atemporais relacionados à posição do telefone na tela sugiriam e representariam o acesso à descrição detalhada do telefone e os features visíveis na posição em questão. Pra quem queria simplicidade…
Estes são exemplos de alguns projetos que participei em 2007 e que me proporcionaram muitos momentos de diversão. Em relação a design, o que tento investir sempre são em referências fotográficas, quando eu me sinto confortável em dominar alguma área da realidade, parece mais fácil desenhar suas representações artísticas.