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Clube de Criação Web
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Carta Branca com Salomão Filho
Salomão Filho é Pós graduado em Publicidade pela ESPM com 2 Prêmios internacionais no Corel World Contest - Best of the West.

Era comum afirmar que o computador e toda essa parafernália tecnológica que surge a cada dia, daria ao homem mais tempo de lazer e menos horas de trabalho. Com certeza, os trabalhos são finalizados mais rápidos e melhores, mas sem dúvida nenhuma, temos ficado mais tempo trabalhando. E parece que não estamos percebendo isso. Mas isso é outra história.

Trabalho no desenvolvimento de aplicações Web, animação e design. Todo meu trabalho, de certa forma, está ligado à web. Mas nem sempre foi assim. Quando comecei a trabalhar como designer e ilustrador, as minhas ferramentas de trabalho eram essencialmente uma prancheta de luz, papéis, lápis coloridos, as inesquecíveis canetas Design Art Marker, pincéis e aerógrafos. A forma de trabalho era bem diferente do que vemos hoje. Quando começaram a aparecer as primeiras notícias sobre computadores e programas gráficos, percebi que as coisas iriam mudar radicalmente e de forma muito rápida. Os meus primeiros contatos com informática e programação foram em 1985, mas só em 1991, adquiri meu primeiro computador. Foi uma experiência impressionante. Ainda não tinha muita noção do potencial desses equipamentos e software. Era como entrar em um mundo novo.

A vontade de aprender usar os programas se misturava com curiosidade sobre a tecnologia, hardware e o que viria pela frente. Passava horas em boas Livrarias em São Paulo atrás de novidades. Comecei a trabalhar como infografista para a Revista Superinteressante e Diretor de Arte júnior para a Giovanni Comunicação em São Paulo, onde conheci bons amigos e excelentes profissionais. Cada trabalho finalizado nas primeiras versões dos programas vetoriais, Adobe illustrator 1 e Corel Draw 2, era visto com grande prazer e surpresa. O Photoshop ainda era um programa pouco conhecido mas de grande potencial. Buscava novidades e cursos, mas não haviam muitas opções. Tínhamos que ser mesmo autodidatas. O único curso que achei na época, foi de Photoshop ministrado pelo ilustre e ainda pouco conhecido Rafael Luli. Um bom começo!

As primeiras ilustrações ainda eram muito duras. Realizando uma série de experiências, percebi que o mesmo que eu fazia no papel poderia ser feitos no computador. Comecei a finalizar vinhetas e cartuns nesses programas o que, na época, foi visto como inovador. Essas experiências me deram 3 prêmios de Ilustração Digital. Primeiro prêmio no Brasil e 2 no Canadá. Não demorou muito, inicie trabalhos com programas 3D e animação. Parecia um sonho.

Mas as mudanças não parariam por aí. Em 1993 quando fui convidado pela Superinteressante para criar infográficos para uma matéria, percebi que uma nova onda nos atingiria. E era muito maior e mais radical. A matéria escrita pelo jornalista da Superinteressante Flávio Dieguez falava sobre um assunto ainda pouco conhecido na época. Só algumas universidades tinham acesso. Era a World Wide Web. A sensação foi de um frio na barriga!! Parecia algo surreal. Essa "coisa" vai mudar tudo!! A forma como iremos trabalhar, tomar decisões, comprar,... Não preciso falar muito sobre o que aconteceu a partir desse momento. O resultado está aí.

De certa forma, me sinto privilegiado de ter acompanhado desde o início tudo isso. Usei os primeiros modems 9.600 Kbps e ainda me lembro daquele barulho do modem se conectando!!. Esse som faria qualquer usuário atual subir pelas paredes. Os primeiros navegadores, Mosaic, Netscape e o Explore. Tudo isso faz parte de uma grande e interessante história que parece estar muito distante. Acho que essa nova geração precisa conhecer um pouco mais sobre tudo isso. Nem tudo foi fácil e nem tínhamos tantas opções como temos hoje.

Essa história está incrivelmente bem contada pelo jornalista americano John Heilemann no vídeo "A guerra dos browsers". É simplesmente imperdível! Vale a pena ver essa produção disponibilizada pela Discovery Channel em 4 episódios. Informação fundamental para qualquer pessoa que trabalhe na área. É isso aí. Grande abraço a todos.

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Carta Branca com Raphael Pontual
Falta de estilo ou versatilidade?

Dizem por aí que todo designer ou diretor de arte deve ter um estilo próprio, uma identidade, algo que todos olhem e saibam que aquele projeto tem a sua mão.

Acredito numa teoria um pouco diferente: penso que os profissionais gráficos devem ser versáteis ao ponto de adaptar-se a qualquer projeto (qualquer um mesmo!), seja uma campanha para a MTV ou para uma multinacional conservadora.

É muito interessante ver um profissional que adapta qualquer projeto ao seu estilo, mas uma coisa é certa: ele será muito melhor sucedido se trabalhar como freelancer do que se contratado por uma agência, afinal, a agência precisa agradar todos os seus clientes, e dificilmente todas as contas têm o mesmo estilo gráfico. Apesar disso, para conseguir sucesso, o designer ou o diretor de arte deve ser absurdamente bom naquilo que faz, naquele estilo que ele criou, para conseguir ser lembrado pelos diretores de criação quando precisarem daquela solução gráfica que ele executa com tal perfeição.

Estilos são sempre muito bem vindos, e conheço vários profissionais que fazem de seu estilo uma arma para grandes soluções gráficas. O grande problema é quando um estilo vira a saída mais fácil e rápida de um projeto, e, infelizmente, é o que acontece com os projetos “para ontem”. Não é o projeto que deve adaptar-se ao estilo gráfico, e sim cada layout deve ser pensado para cada projeto.

Se você não tem um estilo próprio, não se considere pior do que ninguém, considere-se um profissional versátil. Hoje em dia, esse tipo de profissional é muito valorizado na maiores e mais bem sucedidas agências do mundo. Muito mesmo.

Alguns podem estar pensando: “Ah, ele só diz isso porque não foi capaz de criar um estilo próprio”. Na verdade, falta de estilo é proposital. Gosto de trabalhar em agências, e para isso preciso ser capaz de me adaptar a qualquer linguagem gráfica. Meu estilo próprio deixo para projetos pessoais. Os clientes, em sua maioria, querem um produto final com a cara deles, e não com a sua (salvo em alguns casos).

Mas isso não significa que o profissional deve ser mediano em seu trabalho, seja qual for a linha visual. Muito pelo contrário, ele deve saborear o desafio de criar com referências gráficas que desconhece. A busca dessa solução faz com que os designers e diretores de arte considerados versáteis precisem estudar muito, e  conhecer novos estilos.  Esse estudo em busca de referências de um mundo novo faz o projeto ganhar muito em detalhes e em conceito.

E para aqueles que ainda acreditam que todo profissional gráfico deve ter um estilo, o meu é a “falta de estilo”.

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Carta Branca com Victor Sahate
Olá. É sempre difícil começar uma entrevista onde você não tem nenhuma pergunta específica para responder. Nesse momento (agora aqui, não agora aí) o espaço aqui em baixo está em branco e eu tô pensando.  Tem algumas desvantagens mas no geral acho interessante não ter perguntas, ser um espaço branco… puro potencial criativo... quase uma meditação (ah?!).

Fui convidado para falar sobre meu portfolio e mostrar um pouco dos meus trabalhos exatamente no momento que mais estou questionando a forma com que os mostro.
Não vou entrar nesses detalhes porque provavelmente isso viraria uma grande discussão, mas a minha experiência no mercado de internet está me fazendo pensar bastante na estrutura que temos para julgar bons profissionais e seus trabalhos.

Até onde design bem feito é líder no simbolismo de criatividade?

Será que um prato de comida bem feito não pode simbolizar poder criativo pra uma agência?

Não estamos fazendo mais posters pra internet, né? (e sem exagero, uma boa comida é uma das coisas mais mágicas  que tem).

Bom, antes que eu pire nesse assunto, agradeço profundamente a oportunidade de participar do CCW e vou começar a falar sobre meus “posters” (ou pelo menos vocês vão ver como posters).

Vou mostrar alguns exemplos de projetos que fui responsável pelo design, ano passado, como Diretor de Arte da Gringo em São Paulo.

MAXHAUS

O desafio de design deste website foi mais funcional do que visual.  A idéia era criar uma interface fácil e criativa para permitir ao usuário ter um gostinho da experiência de customizar completamente seu apartamento, que é exatamente o que o pessoal da Maxhaus vende, apartamentos, reais, que você pode escolher tudo, até a posição das paredes.

Gênios da programação liderados por Arthur Debert ficaram estudando e pensando como fazer esse tipo de interface funcionar na internet,  gênios do 3D ficaram desenvolvendo milhares de objetos e testando diferente vistas e angulações para o prédio e apartamentos e eu, peguei o mais fácil, pensar na interface e design gráfico. Fiz alguns testes de interface e rabisquei algumas coisas na mão. Ao mesmo tempo que trabalhava nas funções da interface eu já testava diferentes identidades visuais, cores, tipos, formas etc. Quando ficamos satisfeitos com um visual, começamos a colocar isso no site e vestir os elementos em 3D. Trabalhei com Photoshop, e, apenas, Photoshop e não conseguia parar de pensar: “esses caras são loucos” ehehehe.

ABSOLUT BRASIL


Esse projeto foi interessante porque estávamos promovendo Absolut no Brasil e precisávamos encontrar uma identidade visual que refletisse conceitos urbanos, de noite, bares e um pouco de festa, misturado com o calor brasileiro, com variabilidade visual, colorido, próximo etc.

Depois de alguns testes cheguei a conclusão que  a representatividade dos diferentes artistas e suas obras inéditas já seria suficiente para representar a sensibilidade e flexibilidade artística brasileira e poderíamos fazer o resto do site escuro no climinha “tem uma gatinha te chamando para tomar uma vodka no bar refinadamente multi colorido e aconchegante ” sem perder a brasilidade. As tintas e as borboletas foram toques mais pra atingir o inconsciente do que o consciente e trazer mais pra frente da mente as idéias de natureza e arte.

CUTWATER

Era só o portfolio de uma agência e não tínhamos muito tempo. Resolvemos seguir uma linha clean de design que fazia referência ao nome da agência – Cutwater  - em São Francisco.

A idéia central do site é que o mouse “corta a água”. O que pode soar previsível e não criativo para alguns, na internet, quando se adiciona o desafio tecnológico na equação de um projeto, uma inovação técnica também é uma grande qualidade criativa. E esse foi o grande desafio – fazer o diabos do mouse cortar a água sem parecer jogo de Atari ou precisar dos computadores da Nasa para processar em tempo real na internet.

Fizemos muitos e muitos testes e a galera da Gringo e Zeh Fernando conseguiram achar uma boa solução.

Depois achamos que seria legal a tela esvaziar de água e ficar totalmente branca e limpa para mostrar os conteúdos e contrastar com qualquer idéia de poluição ou negatividade que a água pudesse ter estimulado – água é um dos elementos mais detonados no planeta.

NATUREZA VIVA

Natureza Viva também foi um desafio tecnológico e de interface bem legal. Criar, desenhar e desenvolver uma experiência multiplayer de costurar e revelar uma floresta animada e viva por cima de uma tela morta e estática com a estética de “ponto-cruz” não foi algo que a gente tinha na manga.  Passo um: O que diabos é ponto-cruz? (ah?!).

Depois de ver vários videos de vovós costurando e fazer testes de design, interface e ilustração, começamos a chegar num resultado mais agradável.  Agradecimentos eternos pra Elisa, Will Murai, Zeh Fernando, Danilo Almeida (Gabba) e Gringo por me proporcionar a experiência de desenhar este projeto.

MOTOROLA

Esse site na verdade não existiu.  Apresentamos duas versões de desenho, esta que eu fiz e a que foi ao ar, desenhada por um de meus mestres, Geo Freitas.

Pela falta de tempo que o projeto tinha, resolvemos que apresentaríamos uma versão mais simples e segura e uma outra com produção mais complexa, o que me permitiu investir nas luzes, fumaças e em uma idéia mais dramática de animação.

A idéia era permitir ao usuário fazer uma viagem linear pelos features do telefone através de uma linha do tempo, onde a qualquer ponto que o video parasse, portais atemporais relacionados à posição do telefone na tela sugiriam e representariam o acesso à descrição detalhada do telefone e os features visíveis na posição em questão.  Pra quem queria simplicidade…

Estes são exemplos de alguns projetos que participei em 2007 e que me proporcionaram muitos momentos de diversão. Em relação a design, o que tento investir sempre são em referências fotográficas, quando eu me sinto confortável em dominar alguma área da realidade, parece mais fácil desenhar suas representações artísticas.


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