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Dica de Quem? Lincoln Schultz
Livro: Design para a Internet – projetando a experiência perfeita - Felipe Memória

O livro aborda conceitos básicos e fundamentais sobre assuntos que estão diretamente relacionados à navegabilidade e à usabilidade. O ponto forte do livro diz respeito a tudo que envolve a navegação na Web, não só com relação a padrões de elementos de interface como também de formatação de conteúdo. O autor apresenta cases da Globo.com, tais como "Site Oficial da Rede Globo", "GloboEsporte.com", "Jornalismo da TV Globo", e cases sobre o Yahoo!, a BBC e a AOL.





Lincoln Schultz
- Diretor de Criação  |  Marketing
ESAT Design

*Comprar este livro na Livraria Cultura

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Para entender a internet
"Para entender a internet" é um livro colaborativo idealizado por Juliano Spyer e escrito por 38 autores, todos eles protagonistas brasileiros em seus campos de atuação.
Aqui no CCW, com a autorização do Juliano, estamos disponibilizando o conteúdo do livro para leitura e distribuição.

 
 
Apesar de terem sido produzidos pensando no leitor com pouca familiaridade com a Web, os textos vão além das simplificações e dos modismos para, ao mesmo tempo, ensinar e provocar. E os autores têm intimidade com o assunto para fazer isso. Por exemplo, Edney Souza, o Interney, um dos blogueiros mais conhecidos do Brasil hoje, é quem escreve sobre blog. Soninha Francine, vereadora, atual sub-prefeita em São Paulo, escreve sobre internet e lei eleitoral. Fábio Seixas, um dos brasileiros mais seguidos no Twitter, fez o texto sobre micro-blogging. Sérgio Amadeu, ativista combativo do software livre, escreve sobre pirataria online. Ronaldo Lemos, um dos ativistas brasileiros mais conhecidos e respeitados internacionalmente, explica o que é o Creative Commons. E por aí vai a lista.



Capítulos: (Clique para ler)
  1. Privacidade (Alessandro Barbosa Lima @albali)
  2. Interatividade (Alex Primo @alexprimo)
  3. Wiki* (Alexandre Hannud Abdo @solstag)
  4. Cultura do Remix (Alexandre Matias @trabalhosujo)
  5. Jornalismo Colaborativo (Ana Brambilla @anabrambilla)
  6. PEER-TO-PEER (Andre Passamani @passamani)
  7. COMUNIDADES DE PRÁTICA (Barbara (Bee) Dieu @bdieu) 
  8. Voluntáriado em Rede (Bruno Ayres @bayres, Marianna Taborda @maritaborda)
  9. Jogos Eletrônicos (Carlos Estigarribia @estiga)
  10. Propaganda  Online (Carlos Merigo @cmerigo)
  11. Capital Social / Whuffie (Cris Dias @crisdias)
  12. Ética Hacker (Dalton Martins @dmartins)
  13. Bridge-Blogging (Daniel Duende @danielduende)
  14. Podcast (Diego Franco @diego_franco)
  15. Blog (Edney Souza @interney)
  16. CyberPunk (Fábio Fernandes @fabiofernandes )
  17. Micro-Blogging (Fabio Seixas @fseixas)
  18. Lixo Eletrônico (Felipe Fonseca @efeefe)
  19. Lei Azeredo (Fernando Gouveia @gravz)
  20. Beta (José Mauro Kazi @jmmzaki)
  21. Ecologia Digital (José Murilo Junior @josemurilo)
  22. Web 2.0 (Juliano Spyer @jasper)
  23. Open Space / BarCamp (Luiz Algarra @lalgarra)
  24. Mobile (Luli Radfahrer @radfahrer)
  25. Metodologias Ágeis (Manoel Lemos @mlemos)
  26. Cauda Longa (Marcelo Coutinho @mcoutinho)
  27. Spam (Marcelo Vitorino @pergunteaourso)
  28. Co-Working(Pablo Handl @phandl)
  29. Viral (Rafael Ziggy @rafaelziggy)
  30. Rede Social(Raquel Recuero @raquelrecuero)
  31. Fotografia Digital (Renato Targa @renatotarga)
  32. Brecha Digital / Exclusão Digital (Rodrigo Savazoni @rodrigosavazoni)
  33. Creative Commons (Ronaldo Lemos @rlemos)
  34. Cyberbullying (Rosana Hermann @rosana)
  35. Pirataria Online (Sergio Amadeu da Silveira @samadeu )
  36. Lei Eleitoral e Internet (Soninha Francine @soninhafrancine)
  37. Consumer-To-Consumer (Wagner Tamanaha @wtamanaha )
  38. História do Projeto

História do Projeto por Juliano Spyer:
A idéia inicial desta coletânea foi plantada no dia em que fui entregar meu livro Conectado ao prefaciador, o jornalista Caio Túlio Costa. Registrei desse encontro o elogio do Caio por eu ter citado a Wikipedia como fonte de pesquisa. Na época ele estava na reta final do doutorado e comentava que muitos acadêmicos e jornalistas consultavam essa enciclopédia mas, por preconceito, não davam crédito.

Recentemente, caminhando de volta para casa, me ocorreu que poderia ser relativamente fácil fazer um livro reunindo e editando verbetes da Wikipedia referentes a um mesmo assunto. Ainda assim, daria mais trabalho do que eu tenho hoje condição de realizar sozinho nas horas vagas, em um prazo relativemente curto. Isso mudou durante a semana da Campus Party, um evento que desde 2008 reúne em São Paulo milhares de aficcionados por tecnologia. A maioria dos participantes da coletânea passou por lá nos sete dias e noites de festa geek. Para cada um eu apresentei a proposta do livro em minutos e o restante da coordenação aconteceu por email.

A proposta incluía a condição de que cada artigo tivesse um verbete correspondente na Wikipedia. Essa decisão simplificou o processo de mapeamento temático na medida em que, partindo do verbete central da Wikipédia - neste caso, foi "internet", do site em inglês -, era possível ir marcando os assuntos relacionados seguindo os links internos de verbete a verbete. Um artigo conduz a outros até delimitarmos o escopo do projeto.

A lista original de temas teve que se adequar parcialmente à relação de pessoas que eu conheço e que podem falar com propriedade dos assuntos relacionados. Organizei os capítulos em três blocos temáticos mas essa foi uma ordenação posterior à encomenda dos textos e, como você poderá constatar, vários artigos cabem em mais de uma etiqueta. O primeiro apresenta conceitos, o seguinte trata de práticas e o último dos desafios lançados à sociedade quando quase um terço dos habitantes do planeta tem acesso a canais de expressão e articulação a partir de internet.

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Privacidade
A privacidade na computação é um assunto polêmico e que geralmente volta ao palco das discussões da sociedade sempre que uma inovação tecnológica desafia a compreensão dos consumidores e, real (ou imaginariamente), se torna uma ameaça potencial à privacidade. Com a internet , o rol de ameaças à privacidade só cresceram.

Tudo começou quando dois computadores se conectaram pela primeira vez. O acesso remoto a arquivos e o compartilhamento de recursos computacionais serviram à segurança, mas por outro lado abriram uma brecha na privacidade – um computador poderia ter seus arquivos acessados remotamente por outro. De acordo com a história contada no site da Internet Society, em agosto de 1962, o pesquisador Joseph Carl Licklider, do MIT, foi a primeira pessoa a descrever as possibilidades de interações sociais que podiam ser realizadas através de uma rede de computadores interconectados. Através de memorandos, ele concebeu o conceito de uma rede global de computadores interconectados na qual as pessoas poderiam acessar dados e programas de qualquer lugar. Este conceito foi chamado por Licklider de “Galactic Network” e hoje é tido como inspirador da atual Internet.

Com o advento da web, a interface multimídia da internet, um novo desafio à privacidade se impôs: o e-mail. Criado como uma forma de comunicação rápida, o e-mail passou a ser uma ferramenta invasiva, que carregava até a máquina do usuário ameaças letais, como vírus e software que permitia a hackers capturar senhas ou outros dados do internauta sem que este percebesse.

Depois do e-mail, uma nova ameaça, os cookies. Pequenos arquivos digitais salvos em um computador por um determinado site visitado, o cookie permitia ao visitante ser reconhecido rapidamente ao voltar ao site, tornando a navegação mais amigável. Porém criava uma brecha para que a empresa dona do site pudesse não apenas conhecer o usuário, mas saber seus hábitos de navegação. As empresas começaram a compartilhar cookies deixando os usuários ainda mais expostos em relação a seus hábitos de navegação. Hoje, os cookies ainda são um desafio, mas é possível desabilitá-los rapidamente com um pouco mais de conhecimento do funcionamento dos navegadores web.

Ameaça maior veio no início em 1 de abril de 2004 quando o Google anunciou o Gmail. O Gmail trouxe os links patrocinados, que já eram conhecidos do internauta, porém com uma novidade: o Gmail escaneava o texto de todos os e-mails e mostrava anúncios do lado direito da tela de acordo com o contexto.

No início a funcionalidade nova não foi bem recebida pelos usuários e gerou vários protestos contra o Google ao redor do mundo. Foi necessário que Larry Page and Sergey Brin explicassem publicamente o funcionamento dos links patrocinados no serviço de e-mails do Google e como eles não eram uma ameaça à privacidade, uma vez que os e-mails não eram de fato lidos por funcionários do Google.

Nem a Apple, famosa pela invenção do computador pessoal Mac, do iPod e do iPhone escapou das acusações de invasão à privacidade alheia. Em 2006 a Apple lançou uma nova versão do iTunes que ter uma música executada realizava indicações de outras canções, porém permitia ao software escanear a biblioteca de músicas do usuário.

No tempo das redes sociais um novo nível de ameaças estabelece seu alcance. As redes sociais como o Orkut e os blogs tornam nossas relações pessoais transparentes e visíveis, gerando uma exposição nunca vista antes. Para as empresas surgem novas oportunidades (mas também ameaças). O boca-a-boca pós e pré-compra, antes um fenômeno invisível, se torna transparente e visível, o que possibilita uma compreensão maior das influências do processo de decisão de compra.

Por outro lado, os consumidores ainda não perceberam que é necessário impor limites à exposição nas redes sociais. É como uma faca de dois gumes. Se por um lado aumenta o efeito de socialização, por outro expõe a vida pessoal a níveis nunca imaginados. A exposição nas redes sociais independe da disponibilização ou não de dados pessoais. Em junho de 2000, Cass Sunstein, um professor de Direito da Universidade de Chicago, numa pesquisa randômica em sessenta sites políticos, descobriu que apenas 15% deles tinham links para sites com idéias contrárias. Por outro lado, 60% tinham links para sites com o mesmo pensamento político. (SUSTEIN apud BARABÁSI, p.170). Ou seja, mesmo que você não informe nada sobre sua rede, suas ligações apenas são suficientes para aumentar sua exposição.

Como prevenir que os profissionais de marketing, de posse do mapa das nossas redes sociais não cometam abusos? Parece-nos difícil responder este questionamento hoje, uma vez que o problema ainda não manifestou para os consumidores. Mas em pouco tempo o uso dos nossos mapas sociais para ações de comunicação e marketing poderá se tornar uma realidade e problemas éticos certamente não tardarão a aparecer.


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Alessandro Barbosa Lima, 37 anos, é Mestre em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), onde estudou a comunicação interpessoal on-line através das redes sociais. É professor da Fundação Vanzolini (USP), autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web e co-autor de Marketing Educacional em Ação. Nos últimos anos publicou e apresentou diversos artigos em conferências científicas e mercadológicas, no Brasil e em outros países. É CEO da E.LIFE, empresa especializada na monitoração e análise das mídias sociais para cerca de 40 clientes, no Brasil, Portugal e América Latina.

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Interatividade
“A interatividade é o diferencial do jornalismo online”. Vamos ser sinceros: frases como essa acabam por não dizer nada. O termo “interatividade” — que emerge com a indústria informática — ao mostrar-se tão amplo, torna-se vago. Para seguir no exemplo de um jornal online, será que tanto aquelas páginas sem qualquer abertura para comentários quanto os sites de webjornalismo participativo são igualmente interativos? E mais, como podemos pensar a interação no ambiente digital?

Não podemos negar que veículos analógicos como jornais, revistas e emissoras de TV e rádio não eram antes interativos. Um leitor que liga para a redação sugerindo um ponto de pauta, um ouvinte que conversa no ar com o locutor de seu programa favorito, ou mesmo a resposta a uma pesquisa de opinião são, a rigor, formas de interação. O que precisamos é diferenciar os tipos de interação, seus contextos, intensidades e efeitos para respeitar a complexidade do fenômeno interacional e dar sentido às diferentes situações de comunicação.

Sempre achei que “interação” é um dos conceitos de base da comunicação mediada por computador. Mas, em meio à confusão de tantos slogans e discursos sobre as maravilhas dos produtos interativos, decidi buscar uma forma de distinguir os processos de interação na internet.

Para simplificar, e evitar uma imensa lista com dezenas de tipos e sub-tipos, pude observar dois grandes grupos de processos interativos mediados por computador. O primeiro, que chamei de interação reativa, caracteriza-se pelas trocas mais automatizadas, processos de simples ação e reação. Podemos considerar que tanto um intercâmbio entre dois bancos de dados quanto o uso do programa Gimp por um estudante são exemplos de interação reativa. Ora, as trocas encontram-se previstas. Mas existem intercâmbios nos quais pouco ou nada está definido a priori. Um bate-papo entre amigos no MSN, uma negociação comercial via Skype e até mesmo uma discussão via SMS emergem no momento, são criadas pelos próprios interagentes durante o encontro. Mesmo que os negociadores do exemplo anterior tenham objetivos a cumprir, apenas durante a reunião online que as decisões serão confirmadas. É muito diferente, portanto, da interação com um software, onde as reações do programa precisam ser determinadas a priori para que possam ser desempenhadas conforme o projeto. O segundo tipo, baseado na construção cooperativa da relação, cuja evolução repercute de nos eventos futuros, eu chamo de interação mútua.

Claro, essa é apenas uma entre tantas tipologias. Mas através dela podemos inclusive compreender a diferença entre os primeiros tempos da Web e o que se convencionou chamar de Web 2.0. No caso do jornalismo online, podemos lembrar que os primeiros sites jornalísticos limitavam-se ao hipertexto. Os internautas podiam já escolher as trilhas que mais lhe interessavam, criando o seu próprio percurso noticioso. Contudo, precisavam escolher entre as alternativas disponíveis a priori. Ou seja, processos de interação reativa. Com a Web 2.0, e a mudança do foco da publicação para a participação, passou-se a valorizar cada vez mais os espaços para interação mútua: o diálogo, o trabalho cooperativo, a construção coletiva do comum.

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Alex Primo é professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS e pesquisador do CNPq. Possui mestrado em Jornalismo (Ball State University) e doutorado em Informática na Educação (UFRGS). Sua tese de doutorado foi premiada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e pela Sociedade Brasileira de Infomática na Educação (SBIE) - currículo Lattes. Foi secretário da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação - Compós (2005-2007) e editor dos periódicos e-compós e Intexto. Prestou consultoria para a equipe do Orkut, na sede do Google, na Califórnia. Publicou o livro “Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição”. Atualmente pesquisa gêneros e interações em blogs e conversações online. Coordena o Laboratório de Interação Mediada por Computador (LIMC).

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Wiki*
Ao longo do segundo semestre de 2008 aconteceu algo curioso comigo. A certa altura reparei que estudava numa wiki - a Wikipédia - ensinava noutra wiki - o Portal Conhecimento - trabalhava numa terceira - o repositório do projeto Graph-Tool - e organizava um evento - o encontro Reverberações - e um movimento - o Wikibrasil - numa quarta wiki.

Logo, e sem muitas opções para preencher os sonhos senão com essas memórias do meu dia, acabei transformado num "24 hour wiki people". Mas não se espante, este sendo um texto introdutório - escrito no Tomboy, um aplicativo de wiki pessoal - conta-se essa ladainha para dar uma idéia da variedade de atividades que podem ter a wiki como suporte tecnológico. Mas o que é, afinal, uma wiki?

Chama-se ''wiki'', palavra que no idioma havaiano significa ''rápido'', à mais simples e flexível ferramenta de colaboração pela internet. Simples em conceito, mas complexa em sua tecnologia.

Trata-se de qualquer sítio onde o usuário pode, além de visitar as páginas, editá-las com apenas um gesto. Basta um clique na ligação "editar" e o conteúdo da página aparece numa interface adequada para ser modificado. Após modificá-lo, um clique no botão "salvar" registra as mudanças e aquela página passa a apresentar-se com as modificações a todos, que por sua vez podem seguir editando-a.

Mas a tecnologia da wiki não para aí. Cada modificação feita fica armazenada num lugar visível por todos, e pode ser desfeita com a mesma facilidade. Diferenças entre modificações também podem ser visualizadas, e cada página permite ao usuário inscrever-se caso deseje ser avisado sobre mudanças. Isto é, a ferramenta permite utilizar a memória e sinalizar mudanças de cada página. Com essas três qualidades: edição, memória e sinalização, a colaboração através de wikis torna-se extremamente eficiente.

Claro, acrescente-se à receita a qualidade fundamental da web, o hipertexto, que no caso das wikis tem sabor especial: cada ligação para um endereço dentro da wiki que ainda não tenha conteúdo, além de apresentar-se com uma cor distinta, ao ser clicada remete já à interface para inserir novo conteúdo. Permite-se, assim, organizar idéias ainda não desenvolvidas de uma forma que estimula e facilita a contribuição.

Por sua natureza livre, mas destacadamente quando abertas a contribuições de um grande número de pessoas, as wikis giram em torno do seu conteúdo e não dos seu autores. Isso também a diferencia da maioria das ferramentas da internet. Nos blogs, por exemplo, o autor da mensagem pauta o conteúdo e cada comentário representa individualmente a opinião dos outros usuários.

Nas wikis, quanto mais relevante o assunto de uma página, mais interessados haverá e, como cada um destes pode editá-la como um todo, apenas o entendimento coletivo permitirá compor uma versão duradoura. Quando não há entendimento, ocorrem disputas de edições e algumas wikis tem mecanismos de moderação para evitar isso.

Para facilitar esse diálogo, algumas implementações anexam a cada página uma outra, específica para discussão da primeira. Os usuários então aproveitam esse espaço de discussão como fórum, rascunho e até para organização da micro-comunidade que surge em torno de certas página muito populares.

Por isso, paradoxalmente, a experiência nas wikis tem uma dimensão muito próxima do convívio humano. A maioria das ferramentas da internet, ao garantirem tecnologicamente o controle individual do seu espaço de expressão, eximem o usuário de parte do desafio de conquistá-lo socialmente.

Assim, o conteúdo está na ribalta, mas as pessoas construindo ele tornam as wikis também um lugar interessante para fazer amigos e aprender a viver partilhando um espaço de todos... ou fazer inimigos e destruí-lo.

Por fim, não há como abster de destacar o exemplo máximo das wikis, a Wikipédia. Para quem não conhece, a maior enciclopédia do mundo construída por milhões de voluntários, muitos deles anônimos.

A quem está hoje acostumado a consultá-la, um professor meu costuma lembrar o quanto o seu sucesso contraria o senso comum e econômico do homem moderno pré-digital, de apenas uma década atrás, para quem eficiência de produção era alcançada com incentivos monetários, barreiras de acesso e um sistema de hierarquia rígido.

* Também está licenciado sob CC-BY-SA

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Alexandre Hannud Abdo estava no colégio quando percebeu que a fusão atômica não solucionaria a desigualdade de oportunidades. Sem respostas, continuou estudando de tudo um muito e hoje dedica-se a pesquisar como mudanças nos meios de comunicação influenciam a estabilidade de diferentes formas de organização social. Seu e-mail abdo@usp.br, mas ele gosta mesmo quando visitam sua página pessoal http://cecm.usp.br/~eris/ ou lhe dizem Ni!

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Cultura do remix
O termo remix surgiu nos anos 70, quando produtores e DJs descobriram que era possível mexer na música depois que ela havia sido gravada. Um conceito de certa maneira novo, a pós-produção ajudou a maturidade do rock nos anos 60, quando, liderada pelos Beatles, toda uma geração se dispôs a alterar a própria obra com efeitos, superposições e modulações que podiam mudar sutil ou completamente o que havia sido registrado em estúdio. Mas o que o produtor americano Tom Mould descobriu quase sem querer que era possível aproveitar este novo recurso e aplicá-lo em um mercado ainda mais recente, o da disco music. Ele quem começou a explorar as possibilidades de uma mesma música ser esticada, às vezes por mais de dez minutos, caso fosse necessário. Ciente da novíssima habilidade dos DJs de Nova York no final dos anos 70 (que, sozinhos, começaram a grudar as músicas umas nas outras, juntando batidas semelhantes e encaixando as músicas umas nas outras), Mould percebeu que poderia ajudar a movimentação da pista de dança se fizesse discos que ajudassem o DJ - afinal, discos eram seus instrumentos. E assim foi inventando novidades como o breque instrumental no meio da música - que poderia ser usado ou para prolongar a duração da música, usando-se dois discos, ou permitir que uma nova música entrasse -, o single de 12 polegadas (com sulcos mais largos, em vez do compacto de sete) e, finalmente, o remix.

O conceito de remix, no entanto, não podia ficar limitado à pista de dança. Afinal, ele trata de um processo que começa a reverter o detalhismo cartesiano que categorizou o mundo em compartimentos tão diferentes que parece não ter conexões entre si. Aos poucos redescobrimos pontos em comum em áreas que antes julgávamos completamente alheias umas às outras - intersecções entre arte e dinheiro, ciência e religião, paixão e lucro - que nos fazem repensar completamente o cenário em que habitamos. Estamos, como Mould no final dos anos 70, descobrindo que existem formas de facilitar a vida de cada um dos DJs do mundo - e todo mundo é um DJ em potencial. Como tal, todo ser humano edita sua própria realidade a partir de sentimentos, conceitos, princípios e valores que são, voltando à metáfora, as canções que ele quer que o resto do mundo ouça. Com os recentes avanços tecnológicos que tivemos ao final do século passado, começamos a remixar a realidade de forma mais drástica e consciente, seja no controle remoto, no uso da internet e em tudo que consumimos.

Mais do que na música, que ainda mantém alguns setores completamente alheios ao remix, a realidade atual é completamente remixada. Entre as roupas customizadas e os carros tunados, há um sem-fim de produtos que estão sendo reinventados por seus consumidores - além de tantos outros produtos que foram feitos para ajudar as pessoas a criar, mais do que a simplesmente remixar. Se antes temíamos que a sociedade do consumo nos padronizasse e uniformizasse, estamos vendo um movimento bem diferente acontecendo hoje em dia - e a cada dia que passa, mais temos possibilidades disponíveis para alterar a nossa rotina.

Esse processo de remisturação é o oposto do que aconteceu, voltamos à música, quando o áudio começou a ser gravado. Artistas que nunca haviam aspirado o sucesso além de sua própria comunidade aos poucos se viram transformados em pequenas celebridades, vendendo um novo tipo de som novíssimo para o público em geral pelo único fato de ser gravado. Se antes a música popular era um processo coletivo, sem duração, gênero musical ou autoria definidos, à medida em que o século 20 amanhecia, surgiram novos astros de uma música que, devido a limitações técnicas (só era possível gravar três ou quatro minutos), passava a ter um tema só e começo, meio e fim. Assim surgiu o jazz, o blues, o tango, a moda de viola, o samba, o baião, a rumba, o country e o frevo, por exemplo, gêneros musicais que eram praticados na rua por todos que, quando um Robert Johnson ou Luiz Gonzaga chegava ao estúdio, era personalizado em um músico, quase sempre "o rei do tipo de música tal".

Estabelecida com o advento da mesma inovação tecnológica que deu origem aos idiomas modernos, aos países, aos livros e ao jornalismo (a palavra impressa), a autoria, como todos estes conceitos anteriores, vem, no entanto, sofrendo uma drástica derrocada que acompanha os primeiros passos de uma nova consciência planetária. O meio ambiente, o capitalismo moderno e a cultura pop funcionaram como agentes cruciais no despertar dessa sensação de que todos nós somos responsáveis por todo o planeta. A internet só nos conectou. Encontrou um ambiente propício para acelerar a troca de idéias e de informação a ponto de tornar-se, em pouquíssimo tempo, no sistema nervoso da humanidade.

Do mesmo jeito que o gênio não é alguém que veio do nada e venceu por conta de seus próprios esforços (sempre procure o contexto de onde o sujeito veio antes de comemorar a vitória da individualidade), a criatividade também não pertence a um só indivíduo. E se o século 20 consolidou o conceito de autoria graças à várias revoluções tecnológicas do fim do século anterior (a fotografia, a rotativa, o gravador de som e de imagens - basicamente invenções ligadas ao processo de registro), a revolução tecnológica que assistimos hoje é baseada em exposição, distribuição e troca. Estamos dispostos a fazer o conhecimento planetário possa se tornar acessível a todos os seres humanos e temos cada vez mais consciência disso - como do nosso papel de agente desta distribuição, atuando como um DJ que, de acordo com as "músicas" (sentimentos, conceitos, princípios e valores) que escolhe, atinge um determinado tipo de público.

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Alexandre Matias, 34 anos, faz o Trabalho Sujo (www.oesquema.com.br/trabalhosujo), toca a Vida Fodona (www.fubap.org/vidafodona) e sempre agita Gente Bonita (www.gentebonita.org), além de ser editor-assistente do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo (www.link.estadao.com.br).

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