Rodrigo Guedes

Diretor de Arte
Foz - PR - Brasil
http://www.trafor.com.br/
Publicitário e diretor de arte de Floripa, morando em Foz, vivendo on e off line.
Esperando pra Ler

Essa semana pensei na possibilidade de adquirir o Kindle 2, da Amazon. Já utilizo no iPhone o Stanza e o ereader para leitura de livros. Mas quando vi as possibilidades que leitores digitais trazem, uma série de neossinapses borbulharam na cabeça.

Primeiro pela possibilidade não apenas de ler mas de marcar, copiar, pesquisar o livro, abrindo um leque de possibilidades para pesquisadores e leitores que buscam no texto não apenas entretenimento mas também incremento de conhecimento.

Levar toda a sua biblioteca pessoal pra viajar, trabalhar e passear também é um grande atrativo.

Chega de queimar a cabeça pra escolher que livro você vai ler nas viagens, ou nas férias. Leva todos eles dentro da mochila de uma vez só e pronto. Agora já dá pra ler isso aí na cama, no sofá e na cadeira de praia.

Vai virar certamente uma plataforma para criativos digitais. Ainda não vislumbro o que isso vai fazer, mas a interface desses livros digitais são mais um universo para os criativos e programadores da área. Sabe-se lá aonde vai chegar, mas já imagino livros infantis, com som e figuras, capas virtuais e todo um universo novo interativo a ser explorado.

Fora os quadrinhos. Imagine toda sua coleção ali acessível e com recursos que nenhum papel pode trazer. A HQ Patre Primordium já é a pioneira no Brasil a utilizar uma interface digital como base para criação de um app – no caso o iPhone, que permite a leitura com dublagem dos quadrinhos. Certamente os livros digitais como o Kindle irão evoluir pra essa praia.

Agora imagine só. Em tempos em que a Sustentabilidade e consciência Ambiental/Ecológica se tornaram um valor imprescindível para pessoas e empresas, sabe-se lá se vai chegar um momento em que livros impressos serão antiéticos e encontrados apenas nas bibliotecas. Um cenário pensável.

Considerando a tendência das novas gerações de ficar na superficialidade dos conteúdos digitais mais populares, livros digitais são uma alternativa lógica para aprofundar conhecimentos (em que não se leia algo durante apenas dois minutos). Imagine o que os meios acadêmicos poderão fazer.

Daí Editoras, jornais e revistas terão que se reinventar. Tá bom, pode ser uma grande viagem na maionese, mas olho pra fenômenos como as redes sociais on-line e nenhuma idéia fica tão absurda assim.

Quando inventarem um óculos que diminua o efeito da radiação da tela digital nos olhos, ou inventem uma forma de diminuir essa agressão (ou nossos olhos mutarem para algo mais avançado), teremos talvez aí todo um novo cenário onde livros como conhecemos hoje não terão mais o mesmo papel :).

Isso ou os livros digitais irão cair no esquecimento, como toda inovação que não pega. Mas, sei lá, vamos esperar pra ver. Ou ler.

Alguns links interessantes:

http://www.lendo.org/a-leitura-no-mundo-digital/
http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/resources/afurtado/index.htm
http://www.geocities.com/amaurycarvalho/livdig.html


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Era uma vez, em um link muito, muito clicado...
Se eu falar "maçã envenenada", qual história você lembra? Histórias criam ícones. Maçã envenenada é Branca de Neve; sete anões; espelho mágico; conto de fadas; o estrago que a inveja faz e mais uma gama enorme de conceitos associados a um único signo.

Isso gera conteúdo pacas para criação, em qualquer meio. Essa campanha da AlmapBBDO para o Boticário é um exemplo clássico.





Histórias assim atravessaram séculos. Ficam no imaginário popular, ajudam a transmitir costumes, idéias, conceitos. Transmitem muito dos valores daquele povo, sociedade. Algumas são eternas e eternamente reinventadas (e contadas).

Estava pensando nisso essa semana, sobre o quanto as histórias tem a ver com a publicidade e a criação, quando abri o artigo do Azghi Lemos, na Meio & Mensagem com o título "Ensinando marcas a contar histórias". Excelente artigo, síntese do que eu tinha pensado.

A web está aí, firme forte e com as velas ao vento. Todo cara esperto já sacou que estamos em outro paradigma de comunicação.

A arte de contar histórias é que fez (e faz) peças publicitárias serem inesquecíveis. Entram no imaginário popular, viram parte da cultura, marcam época.

Por isso o grande trunfo da web também é um dos seus maiores problemas: conteúdos gerados perdem importância depois de poucos cliques, duram semanas. Em um meio onde tudo beira ao efêmero, isso é um desafio e tanto.

A The Alchemists, empresa criada por Maurício Mota e Mark Warshaw, nesse artigo que eu comentei ali em cima, estão focadas nesse negócio: transformar marcas em contadoras de histórias, aproveitando o novo mundo da transmídia para perpetuar.

Os caras não falaram nada de novo: comunicação integrada, viral, guerrilha, tudo isso já é usado. Mas se especializar em contar histórias para agregar valor às marcas é inovador. Digo, a publicidade faz isso, mas a abordagem é diferente.

O diferencial é aproveitar o público como co-autor, gerando interatividade diferenciada. Entretenimento que pode vir a ser atemporal. Como a Branca de Neve lá do início.

Em tempos tão interativos, o criativo precisa desenvolver o maravilhoso dom de contar histórias. Mas não histórias pra blogueiro dormir e sim conteúdo atemporal na web, usando a rede como meio de perpetuar idéias através de gerações. E que durem bem mais que alguns cliques.

Post enviado por: Rodrigo Guedes | Comentários (1).
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